Um Dia na Vida de um Beagle 

de Terapia do Cancêr

Por Arden Moore   Tradução: Erika Pagotto

 

Na quietude de um quarto de hospital, a Beagle Dani senta com sua pata esquerda estendida. Seus olhos castanhos sorriem delicadamente à Silvia Cortez,

uma paciente  de 5 anos de idade, com câncer, que continua assentada na beirada de sua cama de hospital.

Sem nenhuma palavra, Silvia abre um vidro de esmalte e começa a pincelar verde esmeralda nas unhas de Dani. Dani boceja quando Silvia termina a quarta unha mas continua sentada.

É uma quinta-feira à tarde no Cedars Sinai Comprehensive Câncer Center em Los Angeles e Dani, o cão de terapia, à trabalho. Silvia é sua última paciente do dia e uma de suas favoritas.

O par se conheceu a quase 3 anos atrás quando Silvia foi acometida por uma rara forma de câncer de ovário pediátrico. Ela tem estado dentro e fora do Cedars Sinai – mais dentro do que fora – e sempre para tratamento. 

           

           

Quatro meses no trabalho de balançar a cauda e criar sorrisos, o cão de terapia desenvolveu câncer. Um tumor de crescimento rápido na sua perna direita foi detectado durante seu banho semanal pela dona, Lauri Seamack, uma especialista de vida infantil no centro de câncer.

Enquanto estava sob quimioterapia, Dani experimentou muitos dos sintomas das crianças que ela visita semanalmente: fadiga, náusea e desconforto. Ela perdeu o apetite, uma raridade para essa beagle adoradora de hambúrguer. Mas os médicos declararam Dani completamente sem câncer em Novembro de 1998 e desde então ela retornou ao trabalho.

A rotina de quinta-feira começa com um banho, seguido pela limpeza das orelhas e aparar das unhas dentro de seu apartamento de um quarto em Los Angeles. Dani divide o lugar com Dexter, um filhote de Beagle; Dallas, um gato tolerante à cães e Seamark, que providencia suporte emocional e organiza acampamentos de verão para crianças e suas famílias no Cedars-Sinai.

“Vamos, Dani! É hora de por sua bandana e targetas médicas,” chama Seamark. O par entra no Escort azul de Seamark e dirige o percurso de duas milhas para o centro de câncer. Dani coloca seu nariz para fora na janela de trás para sentir o ar. Sua cauda continua balançando enquanto elas chegam ao lugar costumeiro para almoçar: Tail of the Pup, uma lanchonete perto do hospital.

“Então, o que vai ser, Dani ? O mesmo de sempre ?” pergunta a proprietária pela janela.

“Sim,”responde Seamark por Dani. “Uma carne de hambúrguer por favor, uma garrafa de água  e um garfo e uma faca.”

Após o almoço, se dirigem ao hospital. A porta do elevador se abre. É a dica de que Dani deve sair e virar à esquerda em direção à clínica de câncer infantil. Sua alegria se mostra pela língua pendurada para fora da boca.

“Dani, Dani!” chama uma menina com os braços estendidos. Dani pára, senta e espera por abraços e carícias. Seamark solta a coleira e um pega-pega começa. Minutos depois a menina e Dani retornam, suando mas sorrindo.

Dani entra na sala de brinquedos com paredes cobertas de vídeo games, livros, artes e desenhos. Dani bebe um pouco de água antes que  o menino de sete anos, Christopher Perez, se aproxime.  

                                                          

Enquanto Perez espera pelos resultados de seu exame de sangue para poder ser hospitalizado para outra parte de quimioterapia, Dani provê uma perfeita forma de distração.

“Senta, Dani !” diz Christopher enquanto ele dá um biscoito à ela. “Agora implore. Balance a cauda.”

Com cada comando obedecido, Dani ganha um biscoito.

“Os médicos retiraram um tumor dos rins de Chris em Agosto,”explica sua mãe, Carmina Perez, de Van Ness, CA. “Dani traz muita alegria ao meu garoto.”

Chris segura a coleira de Dani e juntos vão ver o médico. Christopher recebe a notícia de que  está bem o suficiente para ser hospitalizado e receber sua última sessão de quimioterapia. De barriga pra cima, Dani convence Chris a acariciá-la enquanto Drª. Liliana Sloninsky explica seus próximos procedimentos.

Minutos depois, Dani diverte um amador de basquete de nove anos, Malan Boswell, que tem leucemia aguda.

               

“Dani, você é tão mimada,” brinca Malan enquanto sua avó, Denise Martin, conta que “Malan tem vindo aqui desde seu nascimento e não vê a hora de chegar quinta-feira quando ele pode brincar com Dani.

Meia hora depois, Dani tira uma soneca no canto da sala de brinquedos. Então James Choi entra na sala com seu boné de baseball. Sua face se ilumina quando vê Dani. Quietamente, ele se aproxima e acorda Dani cuidadosamente. Momentos depois, os dois estão brincando enquanto James utiliza seu limitado inglês com comandos.

 James veio da Korea depois que foi detectado com câncer de fígado, explica sua tia Nicole Lee. “Ele estava com muito medo quando ele veio pela primeira vez, mas Dani ajuda James a relaxar.” Seamark recebe a chamada de que Silvia acordou de sua soneca da tarde. “Vamos, Dani. Última parada do dia.” E Dani se dirige ao quarto número cinco.

Silvia acaricia Dani, e nos 15 minutos seguintes ela se esquece de seus tubos, do soro, do monitor e os rigores de se viver com câncer. Ela se interessa em fazer manicure em Dani. “Dani não vê a hora de que chegue a próxima quinta-feira, Silvia,” diz Seamark enquanto Dani dá um sorriso final à garota e sai.  

FONTE: www.petsmart.com/dog/answers/behavior